Hoje eu o vi novamente.
Dessa vez estava tudo bem, porque eu planejei o encontro, eu o esperava, ouso dizer que estava pronta para ele.
Ele me atacou, como sempre faz, como eu sabia que faria.
E confesso que numa tentativa mal calculada de esquiva minha ele chegou a me esbarrar de leve e me desestabilizou um pouco, mas eu não caí.
Ele investiu novamente e dessa vez eu não precisei olhar para desviar.
Na sua terceira investida eu o agarrei e dançamos.
Era uma dança estranha, na qual ele se dividia entre querer fugir e querer me derrubar e eu, para meu espanto, queria abraçá-lo.
Depois desse belíssimo duelo em valsa consegui, enfim, o abraçar bem forte, apertado contra o peito!
E então meu medo deixou de ser medo, ele se transformou num autoconhecimento, numa paz de simplesmente saber o que não se quer, mas saber também que se irá sobreviver aquilo caso não o possa evitar.
E eu pude controlá-lo, e mais ainda, respeitá-lo.
E é assim que nossos encontros serão daqui por diante: Ele não mais me ameaçará, eu não mais fugirei dele. Ele me tocará docemente e eu o entenderei.
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