Você me conquistou por suas não promessas.
Nunca prometeu nada, nunca se comprometeu, e nunca ninguém foi tão honesto comigo.
Ah, tantas coisas simples me conquistam...
Você não me deu afeto, não de forma direta, seu afeto vinha dos seus deslizes, incrivelmente sutis que eu amava perceber.
E por outro lado vinha escrachado em palavras e gestos tão comuns, que em teoria a gente faz pra todo mundo, mas que em sonho eram só pra mim.
Sabe o que me mata em você?
Eu não consigo te ler.
Sempre foi fácil pra mim entender as pessoas, principalmente o que elas não dizem, sempre foi fácil ler, não mentes, mas corações.
Seu coração só pode estar em outra língua.
Você nem ao menos não diz, quero dizer, está tudo sempre dito, claro, objetivo e direto. Então porque ainda cismo que li uma nesga diferente da que você disse?
Esperança? Pode ser, sou eu tipo de tola.
E aí embarquei nessa montanha russa que eu mesma criei, mesmo tendo medo de altura, e pior de tudo, embarquei sozinha.
E ela sobe quando acho que desvendei alguma coisa em você que indica que você gosta de mim, e desce vertiginosamente quando você me escracha o contrário e deixa claro que não passo de uma reles conhecida, nem no posto de amiga cheguei.
E sobe de novo quando penso que então eu devo apostar todas as fichas e deixar as coisas claras, e cai a noventa graus quando você me dá um fora indireto.
Estou vomitando sentimentos, é fato.
Acho até que eu ficaria feliz se pudesse ser só sua amiga, mas nem isso você deixa, sua vida e mente são impenetráveis, principalmente pra mim que tenho medo de tentar.
Mentira, não iria ajudar, eu só me apaixonaria mais ainda por você.
E eu tão criança e perdida, com tanto sentimento nas mãos, não sei o que fazer. Se te entrego e você o deita ao chão, meu coração vai se partir. Se não te entrego fico pra sempre nesse mar de dúvida e esperança que me sufoca.
Pensei seriamente em fugir de você então, te excluir da minha vida e te esquecer pra sempre. Gargalhei alto quando concluí o pensamento. Te esquecer é impossível.
Estou ficando cansada desse subir e descer, afastar e puxar, ter esperança e me desiludir. Estou ficando cansada de dançar sozinha.
E sou eu mesma quem não te convida pra dançar.
Como eu disse, tola.
Talvez o sentimento se desgaste e morra daqui a algum tempo, ou se transforme, ou não, eu não tenho como saber.
Por enquanto isso é só o que tenho, e já nem sei como lidar.
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