Essa noite eu não consegui dormir.
Não foi nada de específico, apenas uma daquelas noites em que os pensamentos vem em altíssima velocidade e diferentes graus de importância e a gente descobre que é impossível parar de pensar, então não pára, e não dorme também.
A certa altura, já exausta e cansada, me lembrei de seus carinhos.
Aquele cafuné desleixado, bagunçando meu cabelo, como se fosse a coisa mais natural do mundo você ter meus cabelos entre seus dedos.
Sua mão no meu ombro, ou em minha cintura, leve o suficiente para não me prender, firme o suficiente para dizer um "fique aqui para sempre"
Ficávamos horas conversando assim, ou simplesmente calados, aí você me puxava, bem sutilmente, e me fazia pousar a cabeça em seu ombro.
Esse era a melhor sensação do mundo, seu cheiro inundava minhas narinas, e me deixava levemente absorta, meu cheiro favorito. O calor do seu corpo, discrepante do meu que sempre foi frio, aquecia alguma coisa dentro de mim, como se abraçasse meu coração e o confortasse.
Se você falasse alguma coisa eu ouvia sua voz por dentro, saindo do seu peito, e de certa forma era como se fôssemos um, como se estivéssemos fundidos.
E então o tempo parava, a eternidade se instava naquele delicioso instante, e era como flutuar entre o tempo e o espaço, era como estar acima de tudo, simplesmente inundada de afeto.
Ah, pensamentos podem ser muito traiçoeiros em noites insones. Certamente sentir a crueza gélida de minha cama vazia enquanto me lembro do meu lugarzinho a parte no universo não me ajudará a dormir.
Mas acho que não me importo mais com isso, já perdi tanta coisa, tão mais importante, que as horas de sono são meros detalhes.
Talvez eu encontre um afago de novo, para poder me desligar e dormir, ou talvez eu continue acordada para a realidade da vida para sempre.
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