Em algumas semanas João estará embarcando para Indonésia, e de lá depois de algum tempo Vietnã, Tailândia,Índia, Tanzânia, Moçambique, Madagascar...Ele não sabia quando iria voltar, nem se iria voltar.
Pela primeira vez na vida não estava ansioso com o futuro, nem preocupado com o dinheiro, ele só esperava pacientemente a hora de embarcar, de coração e mente completamente abertos, para aprender aquelas coisas que ninguém põe nos livros do colégio.
Queria aprender culturas, ver povos, entender costumes. Queria se perder no mundo para ver se assim encontraria a si mesmo.
Sempre ouviu falar de pessoas que viajaram para estes países e tiveram alguma espécie de revelação espiritual, semi atingiram o nirvana, visualizaram um ente superior ou mais do que tudo isso, finalmente se entenderam e souberam plenamente o que queriam de suas vidas.
João não tinha a menor dúvida de que era o que precisava fazer. Já havia levado seu carro a algumas concessionárias para orçar, já havia chamado corretores para avaliarem seu apartamento e já havia publicado a maioria de suas coisas em sites de venda, afinal, ele não precisaria de uma bicicleta num templo budista.
Ele estava inundado de uma excitação quase mágica, recheado da certeza de que tudo daria certo e empolgado como uma criança.
Já havia checado toda a documentação e vacinas necessárias, já havia estipulado um prazo para vender tudo o que podia, e este ato não era nenhum desapego religioso/espiritual, era apenas um sonho de algo tão maior que João não conseguia exprimir em palavras.
Desde sua infância ele não se sentia dessa forma, parecia que estava a uma noite da excursão anual do colégio, estava empolgado, energético, fascinado.
João estava pronto para encontrar seu destino, como se ele fosse uma pessoa, como se, chegando em algum ponto do caminho, eles fossem ser apresentados um ao outro, se tornariam melhores amigos e seriam inseparáveis.
-Ah, João, João, você há de ser feliz meu caro! - falava sozinho com constância agora.
-A apenas algumas horas, em algum país mágico, tudo vai acontecer e sua vida vai guinar.
João mal cabia em si de tantas esperanças, sonhos e belas ilusões de um futuro bem mais palpável do que jamais foi em sua vida.
Dois meses depois João entrava no aeroporto com os olhos brilhando mais que os sinaleiros da pista.
Estava adiantado, sabia disso, mas não se importava. Fora daquelas portas não havia mais nada pra ele, seus bens estavam todos na mala que ele puxava e seu futuro em algum lugar além continente.
Check in feito, mala despachada, algumas horas e o tão ansiado embarque.
Acomodado na poltrona de classe econômica João se sentia voando em uma nuvem, rumo ao mais alto do céu.
Continua em "A Sacerdotisa"...
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