A música suave estava tocando, o vinho, já aberto, fora meticulosamente escolhido, as cortinas abertas revelavam uma noite clara e mística.
Ela estava ansiosa, bebericava em sua taça, repassando todos os detalhes mentalmente.
Fizera o convite de forma insinuante, tomara um banho caprichado e usava seu melhor perfume, a lingerie era nova, extremamente sexy, o vinho frutado e suave era convidativo, tudo perfeito.
Ela sabia muito bem, a única coisa que faltava era ela colocar seu olhar mais pernicioso, provocativo e safado, morder de leve o canto do lábio e voilá, teria uma noite incrível.
Mas estava ansiosa, a muito tempo não usava esse olhar, a muito tempo não tinha uma noite incrível, a muito tempo não desejava um homem como desejava aquele homem.
A campainha tocou arrepiando todos os pelos de seu corpo, ela conferiu o cabelo, o batom e o sorriso e foi abrir a porta.
Ele estava lindo, simples, com aquele jeito de sempre e aquele sorriso de cafa que era parte do charme dele.
Trocaram algumas palavras, perguntas banais sobre o dia, não importa, ela não estava ouvindo mesmo. Suas mãos suavam e seu coração acelerava quando ela mirava aqueles lindos olhos, os lábios, ombros, braços...
Colocou seu olhar, serviu-lhe vinho e depois do brinde, antes de tomar o gole que lhe era devido, deu a mordidinha no canto do lábio.
Mas algum papo, tremedeira, arrepios, taquicardia e um olhar sustentado. Depois de 20 minutos já estavam se atracando no sofá, com volúpia, desejo, impulsos.
As roupas fugiam dos corpos enquanto esses rolavam para o chão.
Tanto instinto, suor, gemidos, despudores, gozos.
Uma dança dessincronizada, improvisada, apreciada. Bailarinos do prazer, contorciam seus corpos ao som rouco que fugia de suas gargantas enquanto entregavam suas almas um ao outro por uma noite apenas.
Ela pensava se deveria se declarar, pedir mais uma noite ou somente dar um tchau enquanto ele dormia. Quando acordou na manhã seguinte ela não estava mais lá. Não havia bilhete, nem café na cama, nem romance.
Só havia a certeza de que bastaria um telefonema e um olhar para que o espetáculo se repetisse.
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