Isso o desesperava.
Todas as noites Diego saía, o destino sempre eram os bares, de preferência os mais badalados da cidade.
Ele conhecia bem aquele cenários, que embora variasse um pouco, era em sua maior parte quase o mesmo.
Tinha um belo balcão, tinham as mesas também, mas estas eram para casais ou grupos de amigos, o balcão, soberano, era para os homens como ele.
Tinha um garçom, ele sempre tinha o cuidado em ficar próximo dos mais ágeis.
Tinha uma música, ás vezes pop, noutras rock, podia ter uma banda tocando, mas ele de fato amava os que tinham jazz.
Tinha luzes, algumas vezes piscantes, noutras coloridas, quase sempre meio tom.
Tinham os drinks, um paraíso de copos e cores, misturas e sabores, álcool em formatos de diferentes sonhos.
Diego já se esquecera de como era o céu noturno e que cara tinham as estrelas, seu universo rodava em neon e ele dirigia pela cidade atrás daquilo que era quase viciante e que ele usava para se esquecer de seu inimigo.
Todas as noites ele se afogava, em seus drinks e em sua maravilhosa juventude, cantava no frio de inverno, fugia de seus medos, matava seu próprio coração, e encontrava uma belíssima jovem para lhe fazer companhia.
Sim, uma mulher, um sorriso, alguém que ele pudesse segurar por alguns instantes.
Essas pobres garotas faziam o seu melhor para satisfazê-lo, alegrá-lo e a lua assistia tudo em sua ascensão.
Todas as noites Diego brincava de fazer amor.
Diego estava morrendo, da forma mais cruel possível... envelhecendo.
Seu inimigo, o tempo, não o poupava nem um dia, e lhe ia roubando a vida e a juventude aos poucos.
Isso o desesperava.
Oh gentil, fria e cálida lua, guie o jovem e triste Diego até sua casa esta noite.
"Kiss your dreams goodbye
...
Slowly dies the heart"
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