Ela cresceu recebendo duas informações
1 - Mulheres tem de fazer joguinhos no amor.
Era sempre isso que sua mãe, suas tias e qualquer mulher
mais velha lhe ensinava.
Regras de ouro, básicas, como:
- · Não puxe assunto para não parecer fácil;
- · diga que está saindo com outro, deixe ele enciumado;
- · Ignore por pelo menos 3 dias depois que se virem;
E por aí vai, mas existia uma, que era o supra sumo, o
mantra a ser fielmente repetido e aplicado e idolatrado
Não deixe ele saber que você gosta dele!
2 - Você não é ninguém.
Exatamente, viviam dizendo para ela, indiretamente é claro,
que ela não era bonita, não era inteligente, não era legal, não era desejável,
enfim, entre mídia, pessoas maldosas e pais exigentes ela aprendeu que nada
nela era bom
Ela não gostava de nada disso, mas se lhe diziam, devia ser verdade.
E assim, quando conheceu ele, e se apaixonou fortemente, ela
simplesmente não soube o que fazer.
De acordo com a regra de ouro, ela não podia deixar ele
saber de seus sentimentos. Como diabos esperavam que ele percebesse e retribuísse
seu amor se ela não podia dizer a ele que o amava?
Bom, as velhas sábias diriam "Deixe-o deslumbrado por
você, mostre tudo de bom que você tem e faça com que ele se apaixone e se
declare"
Até aí, seguindo um a lógica racional, tudo bem, fazia
sentido.
Mas existia um imenso porém, ela não era apaixonante.
Ela não era nada nem ninguém.
Como fazê-lo se apaixonar por ela se ela não tinha nada de
bom? Não era bonita, não era legal, não era charmosa nem inteligente....
Acreditando, mesmo que inconscientemente, em tudo isso, ela
percebeu que sua única opção era matar esse amor dentro do peito
E tratou de fazer isso, mas o amor era forte, e matá-lo um
pouco a cada dia a desgastava.
Um belo dia ele conheceu alguém, alguém que cresceu sem
saber dessas coisas que ela sabia, alguém que falou de seus sentimentos para
ele, que pecado, de fato falou.
Alguém que teve seus sentimentos retribuídos e ficou com ele
Ah, pobrezinha, como ela chorou. Aquele amor mau matado
dentro dela se revoltou e a maltratou bastante, doeu terrivelmente no peito.
Ela sofreu, ela odiou, ela magoou ele, chegou até a jurar
que não precisava dele e que ele não era ninguém. E tudo isso só a fez sofrer
muito mais.
Então ela se odiou, se odiou por não ser ninguém, se odiou
por não ser boa o suficiente para ele, se odiou por odiar ele, se odiou por
amar ele, se odiou por não falar para ele que o amava, se odiou por acreditar
no que cresceu aprendendo, se odiou por se odiar
E por mais que ela amasse ou odiasse, isso só acontecia
dentro dela, de fora a vida seguia.
Ele terminou com este alguém, ele conheceu e ficou com
muitos outros alguéns, mas nunca com ela.
E ela?
E ela descobriu que amor não morre, mas mata.
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