Eu sempre achei que o amor doía.
Não que seja um mau sentimento, muito pelo contrário, é o melhor que já experimentei.
Mas, assim como tristeza faz parte da vida, achava que aquela dor no peito e a falta de ar faziam parte do amor.
Achava que as tonturas leves eram ocasionadas pelas paixões, que o coração acelerado era sinal de estar perto de quem se gosta, e que aquela sensação de fraqueza e lassidão eram típicas de sentimento não correspondido.
Cresci acreditando nisso, sentindo isso e quase sempre fortalecendo e reafirmando essa teoria.
Que ingenuidade a minha!
Tudo não passa de um sopro no coração.
Aquele ruido não é o rugir de um sentimento avassalador, é só meu sangue se esforçando por passar numa válvula cardíaca defeituosa, as tonturas não são paixão, é falta de oxigenação no cérebro, a arritmia não é por reciprocidade, é apenas meu coração tentando compensar com velocidade o que ele deixou a desejar em força e as dores no peito não são o mais puro amor, são só indícios de um órgão imperfeito.
Como foi esclarecedora a descoberta, agora eu sei o porque amo tão errado. Como poderia amar certo um coração quebrado?
Agora me resta esperar que a digoxina possa curar as paixões não correspondidas que me remoem por dentro, e, na pior das hipóteses, que um cateterismo possa apagar as mágoas de ser descartada.
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