Trilha sonora para acompanhar a leitura, ou somente para criar o clima.
O amor existia, era imenso e intenso, mas não bastava.
Estavam juntos, quase sempre, e ainda assim faltava alguma coisa.
Tentavam, argumentavam, se desgastavam, se torturavam, e o calor um do outro ainda lhes era fundamental.
Foram acusações, culpas, responsabilidades e ciúmes. Impaciência permanente, idealização, expectativa, frustração.
"Eu cobro que você seja uma pessoa diferente do que você é"
"Você é egoísta"
"Eu posso viver com isso, eu posso tentar mudar"
"Nós precisamos ser parceiros, o que preciso de você é uma aliança, mas assim não dá"
"E se não for amor de verdade?"
Frases ditas, não com raiva, escutadas, não na defensiva, tudo tão calmo, no meio de um abraço quente, o último.
Lágrimas pesadas rolavam incessantemente, o coração parecia querer sair do peito, a cabeça latejava.
E se fossem almas gêmeas?
E se realmente fossem um fracasso juntos?
E se fossem ser felizes?
E se não fossem?
E se, e se, e se, e se, e se.....
"Preciso cuidar de mim mesmo, não posso ficar com alguém que ainda tem dúvidas"
Era só o que tinha, dúvidas!
Um futuro tão inimaginado pela frente, uma imensa interrogação.
Se sentia segura, se sentia sufocada, se sentia infantil, se sentia a vontade pra ser ela mesma, se sentia presa e se sentia livre.
"E o que eu faço com todo esse amor?"
Teria que descobrir sozinha.
E a sensação de perder doía, perder um amigo, perder uma amparo, perder uma amor, perder alguém que era parte de sua vida, como arrancar um membro, ou perder um órgão, era impossível se ver sem.
Era impossível ver qualquer coisa, não queria mais ouvir nada.
O estupor não passaria, e cada velho hábito ou lembrança ainda ia doer muito.
E se tiver se tornado só o hábito de ter você ao meu lado? E se eu estiver apenas com medo de ficar sozinha?
A dúvida torturava, iria torturar por muito tempo, talvez para sempre.
O fato era que ali acabava, ali seu coração deixava partir um pedaço de si, ali ela ainda desejava que não sofresse, ali ela não era incapaz de implorar que ficasse, não implorou.
Na chuva o deixou partir, apenas olhando, sempre sem saber o que fazer, mas sentindo muito bem aquela dor.
"Deixa tudo que eu não disse mas você sabia
Deixa o que você calou e eu tanto precisava
Deixa o que era inexistente e eu pensei que havia
Deixa tudo o que eu pedia mas pensei que dava"
(Se puder sem medo)
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