Dois trens diferentes, parados na mesma estação.
Dois destinos, opostos talvez, dois sexos, dois seres.
Metal, vidro, borracha, espaço e mais que tudo, a vida entre eles.
Duas vidas com tudo entre elas, sem motivo nenhum para se interligarem nem por um minuto.
Mas se ligaram
Um olhar foi o começo, despretensioso, desinteressado, era mais ter um lugar para pousar os olhos do que um olhar
Mas foi notado, e correspondido, não apenas com outro olhar, mas com um riso, singelo, talvez sem graça, talvez por pura simpatia, ou porque é o que se faz quando se nota um olhar
Esse riso foi respondido com outro, meio torto, meio esquecido de como se ri
Sorriso largo foi então o que aconteceu, cheio de brilho no olhar, com alguma coisa mais do que mero passar de tempo, único e mágico, um sorriso tão lindo que arrebentou seu coração, entrou sem licença alguma e arrancou outro largo e quente sorriso em troca
Estavam então imersos em seu próprio mundo, sem distância, sem pressa, sem mais ninguém em volta, eram apenas dois sorrisos que interligavam dois corações
Os trens partiram e eles deixaram que seus sorrisos fossem lentamente deslocados até sumirem, mas naquele dia, e no outro e arrisco dizer que em mais um e depois pra sempre, sempre que olhavam para um vidro de trem, largos sorrisos se abriam pela memória de um dia terem partilhado almas.
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