O que lhe chamou a atenção, em primeiro lugar, foram as pernas.
Pálidas, mais brancas que o papel, e ainda assim não exibiam nem uma nesga verde de vasinhos ou qualquer marca que fosse.
Começou a reparar então na dona de tão cândidas pernas. Era pequena, esquia, tinha um jeito decidido de andar.
Camisa florida em tons de preto e vermelho, contrastando com a cor de sua pele, solta no corpo, deixava somente a vontade de vislumbrar a silhueta de seu corpo. Sainha curta, de um rosa pálido que combinava com o tom das pernas. Batom vermelho, como se tivesse acabado de comer uma maçã do amor e o mundo fosse pequeno demais perante a imensidão de seus carnudos lábios.
Usava seus óculos de sol e levava o nariz empinado, a matreira sabia o que provocava nos outros, e se orgulhava disso.
Ele, ali, feito bobo, se perdeu no vaivém daquela saia, ora saia, ora pernas, ora saia, ora pernas...
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