Existe uma linha tão tênue, entre a alegria e a tristeza.
E
nós, nesse ímpeto egoísta de estar sempre certos, espizinhamos essa linha. Nós
não nos contentamos em atravessá-la, precisamos ir a tiro para o outro lado, e
depois arrancá-la e erguer sobre nossas cabeças gritando sempre "eu"
"eu" "eu"
Atacamos, ferimos, magoamos, e cada vez que fazemos isso ao
outro, sem notar, estamos fazendo em dobro a nós.
No fundo uma vozinha tímida e abafada grita para pararmos,
grita que na verdade ele está meio certo, grita que o ama, e nós a ignoramos e
continuamos a arrancar lágrimas daquele que está a nossa frente.
As vezes, num arroubo de sanidade, nos contemos, escutamos,
damos lugar a razão e mais ainda, em meio a fúria, a dor e ao egoísmo, damos
lugar a empatia e a humildade. Abaixamos a cabeça, dizemos que erramos, pedimos
perdão e quem sabe uma segunda chance.
Tão instável essa bomba, tão frágil fica
nessa hora, basta muitíssimo pouco para que se rompa, e então tudo fica bem
pior.
Falamos coisas, magoamos, mas agora já não é aquela mágoa
que sai entre uma explicação e uma cobrança, é aquela em lança, armada,
arquitetada e planejada para ser mágoa bem fincada no coração.
O arrependimento se finca no nosso assim que a mágoa perfura
o amor a nossa frente. Mas já não tem mais volta.
Quão frágeis somos, quão egoístas.
Nós morremos, brigas morrem, momentos morrem, amores morrem,
mágoas morrem?
Esperamos que sim.
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