domingo, 14 de fevereiro de 2016

Egoísmo

Existe uma linha tão tênue, entre a alegria e a tristeza. 

E nós, nesse ímpeto egoísta de estar sempre certos, espizinhamos essa linha. Nós não nos contentamos em atravessá-la, precisamos ir a tiro para o outro lado, e depois arrancá-la e erguer sobre nossas cabeças gritando sempre "eu" "eu" "eu"

Atacamos, ferimos, magoamos, e cada vez que fazemos isso ao outro, sem notar, estamos fazendo em dobro a nós.

No fundo uma vozinha tímida e abafada grita para pararmos, grita que na verdade ele está meio certo, grita que o ama, e nós a ignoramos e continuamos a arrancar lágrimas daquele que está a nossa frente.

As vezes, num arroubo de sanidade, nos contemos, escutamos, damos lugar a razão e mais ainda, em meio a fúria, a dor e ao egoísmo, damos lugar a empatia e a humildade. Abaixamos a cabeça, dizemos que erramos, pedimos perdão e quem sabe uma segunda chance.

 Tão instável essa bomba, tão frágil fica nessa hora, basta muitíssimo pouco para que se rompa, e então tudo fica bem pior.

Falamos coisas, magoamos, mas agora já não é aquela mágoa que sai entre uma explicação e uma cobrança, é aquela em lança, armada, arquitetada e planejada para ser mágoa bem fincada no coração.
 
O arrependimento se finca no nosso assim que a mágoa perfura o amor a nossa frente. Mas já não tem mais volta.

Quão frágeis somos, quão egoístas.


Nós morremos, brigas morrem, momentos morrem, amores morrem, mágoas morrem? 

Esperamos que sim.

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